Há (quase) um ano criei este blog como uma das minhas metas para ano de 2010.
Criei, mas larguei...:P
Entretanto, ouvi hoje que um bom blog deve ter freqüência de post, mesmo que seja de mês em mês.
No meu caso tá mais pra de ano em ano. Mas, é uma freqüência ué?
Enfim, queria deixar aqui registrado, caso alguém queira saber daqui a alguns anos o que eu pensava na “minha época”, minhas impressões sobre o mundo. E resolvi falar hoje do que eu fazia há um ano.
Bom, nesta mesma época eu estava trabalhando como bartender e depois garçon, perdi meu avô e tive uma das piores/melhores crises de riso da vida.
Falei em um post anterior que falaria mais sobre esta aventurança profissional, e hoje estou eu disposto a fazê-lo.
Bom, tudo começou com um anúncio lá na faculdade sobre uma vaga pra recepcionista bilíngüe em um restaurante/bar. Enviei meu currículo por email, liguei pra lá, tudo bonitinho ta ta ta...
Próxima etapa: entrevista. Estava eu, uma conhecida da faculdade e uma outra menina que fazia Fisioterapia.
-Pow, tudo a ver!
Enfim... Além da vagas pra recepcionista bilíngüe, havia outras vagas disponíveis: garçom e bartender. Fomos informados de que passaríamos por todos esses “estágios” e que, quando o restaurante abrisse (estava “fechado”, com previsão para abrir em janeiro) eles selecionariam quem ficava em cada função.
Olha que legal! Todos queriam a mesma vaga (de recepcionista), mas tinha um trabalho de consolação pra quem não se enquadrasse no perfil.
Ok! Iniciamos o período de teste: sextas das 16h até às 02h e sábados das 18h às 04h!
“Nunca” reparei o quanto era longe e tarde...
E eu, sendo o único “estagiário” homem, fazia todo o trabalho considerado pesado: subir e descer escada levando caixas e caixas de cerveja, sacos de gelo, etc... Nessa hora mulher nenhuma quer saber de direitos iguais, né?
No estágio de recepcionista mesmo, nenhum dos três chegou a ver como era. Trabalhávamos mesmo como bartender (e eu, por alguma razão, era escolhido pra trabalhar como garçom à vezes).
Duas semanas depois, a ‘fisioterapeuta’ não apareceu mais. Mais uma semana e a colega de curso também perdeu o pique.
E restei eu, trabalhando às vezes como garçom, às vezes como bartender, às vezes como os dois.
O ambiente de trabalho era engraçado, a maioria da equipe composta por homens que adoravam fazer palhaçada, zoar um com a cara do outro, muito legal mesmo! Consegui contatos com alguns garçons de lá pra trabalhar (como garçom) em outros lugares e até uma entrevista num restaurante de um hotel (que já era mais a minha área, mas infelizmente o horário batia com o da facul)!
E um desses lugares foi uma pizzaria, onde trabalhava aos domingos. Também muito descontraído o ambiente e com a vantagem de sair mais cedo e não ser aquela carga pesada do restaurante/bar.
Ah, um detalhe: o restaurante mesmo nunca abriu até hoje!

Nesse meio tempo, eu consegui (do nada) um teste de três dias para trabalhar como caixa de um restaurante de hotel. Outra contradição. (Eu acho que esse lance de pró-atividade tá superestimado, só pode...) Olha só: eu tinha que conhecer os setores do restaurante e fazer de tudo, como eles dizem. Mas, a última coisa que fui fazer foi aprender o sistema do caixa e mesmo assim, só aprendi, não exerci. O que eu fazia era, advinha o que? Trabalhar como garçom de novo! :P
Essa caricatura que ta aí em cima, é de um artista que tava tomando café e viu minha falta de jeito pra garçom, eu acho. Na hora que ele me chamou a mesa eu até pensei que tinha feito alguma coisa errado, foi então que ele me deu a caricatura num guardanapo e me desejou boa sorte. Acho que foi o melhor dos três dias.
Acabado o teste, eu passei, mas novamente o horário pra trabalhar não batia com o da facul.
Dificuldades?
Se eu for falar dos percalços que tive nesse período, esse post vai virar uma bíblia. Mas, apesar de vários momentos divertidos, acho que os meses de novembro e dezembro de 2009 foram os mais conturbados da minha vida. Pra citar alguns exemplos:
Perdi uma amiga muito querida e depois meu avô que apesar da pouca convivência era... meu avô!; tive um namoro relâmpago, que pareceu mais um trovão; numa viagem de volta pra São Luís o ônibus deu prego no Brejo (literalmente); entre outras cositas más.
Contudo, o que eu quero falar agora é do aspecto pejorativo e preconceituoso que existe na sociedade ludovicense (pra não generalizar pra maranhense).
Eu caí de gaiato nesse navio de ser garçom. Foi um desafio super-hiper-mega grande, que eu de certa forma me propus a enfrentar. Eu sempre achei que fosse um cara descolado e desprendido de qualquer preconceito, e realmente sou. Gosto (ou não) das pessoas pelo que elas são, suas essências, não suas posses. Mas, devo admitir que até eu me sentia pressionado por comentários do tipo: “Pra que que tu ta fazendo isso, menino?”; “Tu não precisa disso, tu é doido?”...
Realmente, a recompensa em dinheiro é infinitamente menor do que o esforço que se faz nesse tipo de profissão. E eu não precisava de dinheiro, eu até queria dinheiro. Mas, maior que isso, eu queria saber como era estar num daqueles filmes ou seriados americanos (tipo: the big bang theory, desperate, friends...) em que os personagens cortam grama, trabalham como garçons, fazem de tudo (pra poder pagar a faculdade, um carro, ou sei lá o que) e ainda assim isso é normal e natural.
Bom, como pude constatar a sociedade ludovicense não é bem como a americana. Quem trabalha parece que é coitado, e quem não trabalha só quer saber de festa.
Mas, nem tudo é tão ruim assim.
Meu desafio maior foi no dia 31 de dezembro de 2009, quando aceitei um convite para trabalhar como garçom numa festa de fim de ano na casa de uma família perto da praia. Isso era completamente diferente de estar num bar ou numa pizzaria, fora que eu estava abrindo mão do ano novo com a minha família (logo ali pertinho na praia), além de estar trabalhando pra outra. Mas, acabei me surpreendo nessa festa.
Os donos da casa eram super legais, me elogiaram quando descobriram que eu fazia faculdade (talvez pensando que eu tinha origem muito humilde ou sei lá, mas aceitei o elogio como positivo), o filho deles também fazia a mesma faculdade que eu, só que medicina.
Na hora da ceia fomos convidados a nos servir, tomamos champagne e tudo mais.
Mas, o que mais me surpreendeu foi já no final da festa, quando o filho do casal anfitrião se sentou comigo e o outro garçom pra beber e conversar. Acabei descobrindo que tínhamos amigos em comum, e que apesar de “ter tudo” (como o povo aqui adora dizer) ele não era mimado nem esnobe, muito pelo contrário, falou até que se a faculdade o deixasse arrumaria logo um trabalho e seria independente.
Ok! Já falei demais, agora chegou o momento redação:
“Em virtude dos fatos mencionados, podemos concluir que”:
Diária do restaurante/bar e pizzaria: R$ 50,00
Trabalhar no ano novo: R$ 120,00
Conhecer seres HUMANOS e levar lições pra vida toda: Não tem preço!
QUE 2011 SEJA AINDA MELHOR!